O que aprendi trabalhando 1 ano exclusivamente como freelancer

abril 13th, 2015 § 6 comments § permalink

Esse mês de abril faz exatamente 1 ano que comecei a viver somente de freelas. É uma fase radical ocasionada pela minha decisão de terminar a graduação, que eu adiava desde 2010 quando deixei em segundo plano a carreira acadêmica para investir na minha vida profissional. Falaram mais alto os fatores falta de grana + medo de encerrar o curso de publicidade e não conseguir um trabalho na área. Eu faltava às aulas, que eram à noite, e dava expediente até tarde nas agências que trabalhei ao ponto de trancar a faculdade duas vezes.

Percebi que eu estava carente de uma especialização após esse período enraizado profissionalmente e distante dos estudos, mas como eu ia terminar a faculdade para fazer uma pós se mal tinha espaço durante a semana? Foi então que decidi fazer meu tempo. Ser exclusivamente freelancer para que nenhum emprego de 8h – soma também as horas extras regadas a fatias de pizza – pudessem me impedir de planejar meus próprios turnos de trabalho, a fim de terminar a bendita graduação.

Freelar é uma prática tão comum da galera de humanas e eu já fazia uns freelas aqui e acolá para ajudar na renda porque, né, quem é da área sabe o preço que se paga para sustentar uma vocação não muito reconhecida no mercado. Aliás, colega de profissão que nunca foi freelacer na vida ou é filhinho de papai, funcionário público ou trabalha numa puta empresa multinacional. #prontofalei

Nesses 12 meses absorvi um aprendizado que me amadureceu não somente como profissional, mas também como pessoa porque eu não tenho mais um superior para esconder minhas falhas e defeitos de personalidade que todos nós temos. Essa responsabilidade é fruto de atitudes mais inteligentes, pois agora a comunicação é somente entre a minha pessoa e o cliente.

Evolução da Minha

Capacidade Empreendedora

O freelancer é uma agência de publicidade numa pessoa só, pois sou ao mesmo tempo o atendimento, o profissional do planejamento, o cara do conteúdo e, enquanto eu trabalho para um determinado cliente, também sou responsável pelo comercial para prospectar novas oportunidades. Não tem como ser excelente em todas as áreas, porém exercitar na marra cada um desses setores é pensar estrategicamente como eu posso otimizar meu tempo e precificar de maneira justa minha hora-homem. O freela tem o mesmo significado de uma prova para evoluir minha capacidade empreendedora, juntamente com a performance do meu ofício.

Libertação do Brainstorm Corporativo

Uma das coisas que mais me desaponta na vida de agência (pequenas e médias) é ter um ideia que foge do comum, apresentá-la para o superior e o cara não encaminhar para o cliente afirmando que o mesmo não vai gostar ou que nunca viu uma marca investindo em tal plataforma, então não vai ser a gente que vai arriscar. Certa vez, na última agência que trabalhei antes de viver só como freelancer, tive uma ideia bacana para uma ação no Snapchat. O target do cliente usava o aplicativo, mas a sugestão não saiu da agência. Um tempo depois peguei um freela que também caía bem investir no Snapchat. Convenci o investimento na ação e consegui executá-la. O freelancer tem a autonomia para se livrar do famoso brainstorm corporativo, que é aquele que sugere sempre as mesmas ideias ou propõe estratégias antes já testadas pelas concorrentes, por exemplo. A liberdade de sugerir soluções para o cliente sem precisar da autorização de terceiros é um prazer vantajoso e sem igual!

 Pós-Prospects = Indicações

O que sustenta o freelancer é o seu network (isso todo mundo sabe). O que fornece consistência para eu conseguir indicações de bons freelas é o zelo que dou aos meus trabalhos e, paralelamente, o tratamento que ofereço aos meus clientes. Não é virar um mestre do puxasaquismo. É se colocar no lugar de quem confiou no meu trabalho para investir seu dinheiro. Assim fica mais fácil de um cliente me indicar para outras pessoas. Duas indicações de clientes me proporcionaram dois novos freelas.

Livrai-me dos Calotes, Amém!

Não vou lamentar de atraso de pagamento ou de calote que já recebi. Prefiro lembrar que eles foram importantes para eu adquirir malícia na hora de negociar o pagamento e a entrega do job. Também aprendi que consideração não pode influenciar o compromisso. Afirmo isso porque já deixei para negociar o valor e a data do pagamento depois do freela entregue. Sim, eu sei que foi burrice minha. Misturei a consideração que tenho pela pessoa que me indicou, com a aceitação de deixar o cliente me pagar quando puder. O velho clichê reina nessa situação: negócios à parte. Demonstro nos meus freelas a importância de não ultrapassar o deadline e, portanto, exijo o mesmo de quem vai me pagar. Na vida de um freelancer é bom acontecer o primeiro calote para aprender a não passar por outros.

Conselho Importante: torne-se um freelancer ou um pequeno empreendedor (nem que seja para gerenciar um blog lucrativo), pois certamente você vai adquirir experiência única que dificilmente é absorvida numa agência.

No blog CarreiraSolo tem um post do @cristianoweb sobre os 7 anos que ele tem como freelancer. Vale a leitura! :)

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