Ello: A reencarnação do Path

outubro 9th, 2014 § 0 comments § permalink

Lembra do Path? Uma rede social que só tem versão mobile e livre de anúncios. Por que o Ello deu certo (em termos de popularidade) e o Path, não? É aquela coisa de <clichê>estar no lugar certo, na hora certa.</clichê>

Quando eu usava o Path, me sentia como se estivesse cumprindo protocolo pra conversar com os mesmos amigos do Facebook e do Twitter. Até porque o próprio Path tem a opção de replicar os posts nas principais mídias sociais. Resumindo: eu estava <clichê>correndo atrás do próprio rabo.</clichê>

Aí surgem os velhos argumentos: em cada plataforma usa-se um estilo diferente ou, por exemplo, assuntos que eu falava no Path eu não mencionava no Twitter ou no Facebook. Então faz sentido esse looping? Hoje lembrei do Path, reativei minha conta e vi que todos os meus amigos não publicam nada há séculos. Era só um hype mesmo.

Tudo bem que o Path nunca chegou a ser popular (pelo menos aqui no Brasil) e nos seus primeiros meses de vida nunca se vendeu como uma rede social livre de anúncios, mas conquistou adeptos pelo simples fato de ser novidade. Já o Ello ganhou tanto buzz justamente por enfatizar sua filosofia NoAds, por declarar que seus usuários não estão à venda e por se aproveitar da polêmica dos nomes artísticos/fakes proibidos no Facebook.

O pulo do gato que o Ello deu foi perceber no momento certo a mudança de comportamento dos usuários, que se incomodam com os modelos brutais de propaganda digital para usar dados com o objetivo de conseguir, a qualquer custo, vender todo tipo de muamba. Aí lá vem aquele cara de mídia soltar o verbo: essa galera disponibiliza informações porque quer. Ninguém obriga. Pensar assim é não analisar o outro lado moeda que é a importância excessiva (e não falo isso como algo ruim) de migrar para plataformas sem anúncios como é o Ello.

Métricas, ROI e “gerar lead” são termos que não servem de nada se é desconhecido o sentimento dos usuários das mídias sociais. Será mesmo que vale a pena, sem entender o fenômeno antropológico, investir em ads (qualquer formato) no Facebook se o cara, agora, consome mais conteúdo publicado pelos seus amigos e classifica as publicações das marcas como secundárias?

Aí parece que o trabalho de mídias sociais se resume a isso:

Se as marcas que entram no Ello demonstrassem os seus sentimentos, ou seja, deixarem de lado a preocupação de conquistar interação e mostrar mais sobre o que elas pensam ou desejam. Tornar mais explícito que são feitas de pessoas de carne e osso donas de análises distintas sobre qualquer assunto. Seria como humanizar a estratégia institucional sem nenhum toque corporativista e nem fotos fakes de equipes felizes. Acredito que o Ello e o Path proporcionam um ambiente intimista onde humanos conseguem mais relevância do que empresas carregadas de normas e processos.

“Her” explica a compra do Whatsapp pelo Facebook

março 2nd, 2014 § 1 comment § permalink

Assisti Her na semana que foi divulgada a compra do Whatsapp pelo Facebook. Pra mim o longa é um exemplo prático que apresenta os verdadeiros motivos que impulsionaram Mark e seus ~coleguinhas~ de Palo Alto a adquirirem o famoso messenger.

Ok, corremos um certo risco caso as políticas de privacidade do Whatsapp sejam mudadas, porque é óbvio o objetivo do Facebook: ter acesso aos dados de consumo dos usuários do aplicativo recém-comprado.

Mas quem trabalha no ambiente digital tá careca de saber que não há privacidade a partir do momento que criamos um login seja lá em qual a rede social. Tudo o que fazemos está lá arquivado e pode se tornar um rico acervo de inteligência para as grandes corporações.

Em Her, Theodore (Joaquin Phoenix) é envolvido sentimentalmente por um sistema operacional de maneira que ele não percebe, apenas apresentando seus gostos e hábitos por intermédio da interação com a “máquina”. Essa característica é muito usada nas mídias sociais.

Para que uma marca converse com o seu público ela precisa saber – com detalhes – o comportamento dessas pessoas que pertencem ao target e é aí que entra a compra do Whatsapp!

A plataforma de anúncios do Facebook é baseada nos interesses dos seus usuários, certo?

E que tal o Facebook sugerir um produto ou serviço antes mesmo de você pensar em adquirí-lo, mas que em algum momento você precisará consumir? As conversas e as mídias trocadas no Whatsapp traçam os inúmeros perfis de consumidores que o Facebook quer saber com o objetivo de aprimorar suas estratégias de remarketing!

Uma ação muito usada na mídia online é impactar o usuário que visitou o site da loja X, clicou no produto Y, mas não comprou, voltou ao Facebook e lá foi impactado com um anúncio que é exatamente o produto Y da loja X.

Ou seja: sabendo os temas dos assuntos conversados no Whatsapp dá pra mapear o que futuramente um grupo específico de usuários vai consumir. Seja uma viagem, uma peça de roupa ou algum tipo de entretenimento.

É capaz de apresentar anúncios que são de acordo com cada tipo de interesse sem o usuário perceber que está sendo impactado, pois ele não deu diretamente nenhuma informação ao Facebook e, sim, aos seus amigos via Whatsapp!

Her mostra esse tipo de fenômeno minuciosamente sem cair no clichê daqueles filmes em que o homem interage com a máquina. A prova disso foi a conquista (merecida) do Oscar de melhor roteiro original. 😉

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