“Her” explica a compra do Whatsapp pelo Facebook

março 2nd, 2014 § 1 comment § permalink

Assisti Her na semana que foi divulgada a compra do Whatsapp pelo Facebook. Pra mim o longa é um exemplo prático que apresenta os verdadeiros motivos que impulsionaram Mark e seus ~coleguinhas~ de Palo Alto a adquirirem o famoso messenger.

Ok, corremos um certo risco caso as políticas de privacidade do Whatsapp sejam mudadas, porque é óbvio o objetivo do Facebook: ter acesso aos dados de consumo dos usuários do aplicativo recém-comprado.

Mas quem trabalha no ambiente digital tá careca de saber que não há privacidade a partir do momento que criamos um login seja lá em qual a rede social. Tudo o que fazemos está lá arquivado e pode se tornar um rico acervo de inteligência para as grandes corporações.

Em Her, Theodore (Joaquin Phoenix) é envolvido sentimentalmente por um sistema operacional de maneira que ele não percebe, apenas apresentando seus gostos e hábitos por intermédio da interação com a “máquina”. Essa característica é muito usada nas mídias sociais.

Para que uma marca converse com o seu público ela precisa saber – com detalhes – o comportamento dessas pessoas que pertencem ao target e é aí que entra a compra do Whatsapp!

A plataforma de anúncios do Facebook é baseada nos interesses dos seus usuários, certo?

E que tal o Facebook sugerir um produto ou serviço antes mesmo de você pensar em adquirí-lo, mas que em algum momento você precisará consumir? As conversas e as mídias trocadas no Whatsapp traçam os inúmeros perfis de consumidores que o Facebook quer saber com o objetivo de aprimorar suas estratégias de remarketing!

Uma ação muito usada na mídia online é impactar o usuário que visitou o site da loja X, clicou no produto Y, mas não comprou, voltou ao Facebook e lá foi impactado com um anúncio que é exatamente o produto Y da loja X.

Ou seja: sabendo os temas dos assuntos conversados no Whatsapp dá pra mapear o que futuramente um grupo específico de usuários vai consumir. Seja uma viagem, uma peça de roupa ou algum tipo de entretenimento.

É capaz de apresentar anúncios que são de acordo com cada tipo de interesse sem o usuário perceber que está sendo impactado, pois ele não deu diretamente nenhuma informação ao Facebook e, sim, aos seus amigos via Whatsapp!

Her mostra esse tipo de fenômeno minuciosamente sem cair no clichê daqueles filmes em que o homem interage com a máquina. A prova disso foi a conquista (merecida) do Oscar de melhor roteiro original. 😉

Estudar Marketing Digital É Um Tiro No Pé!

dezembro 9th, 2013 § 5 comments § permalink

Antes de me xingar leia o post e depois vai lá nos comentários soltar o verbo! 😉

Esses dias na agência onde trabalho surgiu uma discussão sobre cursos de especialização que existem aos montes aí no mercado, até que eu levantei a seguinte bola: cursar pós-graduação em marketing digital é jogar dinheiro no lixo!

Se você pesquisar os módulos das principais instituições que oferecem marketing digital vai perceber que a pós nesse segmento é mais um CURSO TÉCNICO do que PÓS-GRADUAÇÃO. Basicamente são apresentadas as ferramentas de links patrocinados e analytics, estratégias de SEO e SEM além de infinitos tutoriais sobre planejamento. Tudo isso pode ser traduzido para um famoso ditado: APERTAR PARAFUSO.

Alguns vão argumentar: pós-graduação é uma especialização!  Logo está correto estudar as tais ferramentas de marketing digital. Mas afirmo que é contraditório cursar a respectiva pós porque em menos de 2 anos todo o conteúdo aprendido estará tão defasado que, ao terminar o curso, é capaz dos recursos expostos em aula sejam substituídos por outras técnicas. Um exemplo bem recorrente disso são os algoritmos do Google que mudam constantemente, aí aquele truque que seu professor te ensinou no módulo SEO não serve pra mais nada!

O mesmo vale pra quem é ~entusiasta~ das mídias sociais.

Pra quê se inscrever num cursinho sobre como usar Facebook, Instagram, Twitter, (insira aqui o nome de outra rede social) para negócios se sabe lá quanto tempo esses sites ainda serão populares. Lembrando que o público está migrando para aplicativos mobile e o próprio Facebook já admitou que perdeu usuários. Tem tantos tutoriais ótimos pelas internets. Sério mesmo que vale a pena gastar dinheiro com um curso desses só porque o professor é um cara famoso no mercado?

As áreas de Marketing e Publicidade lidam diretamente com o comportamento das pessoas, ou seja, é mais inteligente estudar antropologia e cultura digital para ter conhecimento profundo sobre como é consumido um produto ou serviço. As ferramentas que levam o usuário ao consumo (leia-se FB Ads, Google Adwords e por aí vai) servem apenas como apoio com relação à inteligência arquitetada para que a consumação aconteça com sucesso.

Aí vem a questão do “apertar parafuso”: você quer ser só o técnico que em alguns cliques coloca a campanha no ar ou o especialista que descobre o sentimento que transforma o target do seu cliente em verdadeiros fãs da marca?

Por isso é importante escolher bem a Pós-Graduação, MBA ou seja lá o que for para que a formação acadêmica seja enriquecida de tal forma, a fim de que o conhecimento absorvido tenha validade eterna.

Estudar ao longo da carreira para se atualizar é regra primordial. Seja buscando informações em blogs especializados ou pagando um curso técnico, mas se matricular numa pós exclusivamente pra isso é dar realmente um TIRO NO PÉ!

5 erros comuns cometidos por donos de agências

novembro 18th, 2013 § 2 comments § permalink

Em maio fiz 3 anos que entrei nessa vida de agência de publicidade. No começo eu achava que eu não teria uma carreira promissora por causa da minha insegurança, que era era muito grande, mas se até hoje ainda estou nesse barco é porque a coisa deu certo. 3 anos é um tempo curto. Lógico que eu tenho que comer muito feijão.

Durante esse período passei por 6 agências (É… Sou bem rodado) e pude identificar algumas características comuns presentes em donos de agências. Sejam elas pequenas ou médias. Então bora lá:

 1) Não leem com calma as apresentações que demoramos horas pra fazer

Não é novidade que todo mundo tá sem tempo, que tudo tem que ser feito pra ontem, mas chega a ser falta de educação gastar menos de 1 minuto pra ler todos os slides da apresentação que o analista demorou, em alguns casos, uma noite inteira pra fazer. É como se fosse convidar alguém pra jantar e ir embora antes que a pessoa termine a refeição. 

2) Gostam de sustentar uma imagem

de que sabem tudo

Raramente um dono de agência confessa que não conhece profundamente tal assunto e que gostaria que o seu ”subornidado” lhe ensinasse. Mas também já percebi que quanto mais jovem é o dono da agência, menos ele sofre desse mal. Compartilhar conhecimento, independente do cargo que ocupa, é uma característica bem forte da geração y.

3) Fazem cara de paisagem durante toda a explicação sobre a campanha pra no final falar…

Dá muita aflição gastar o latim, suar frio, se segurar pra não gaguejar e o dono da agência não mover um músculo do rosto! Bate uma depressão por não saber se ele tá gostando ou não das ideias apresentadas. O pior nem é no final o cara falar um NÃO bem seco. O problema é não argumentar os motivos da sua negação.

 4) Só te procuram quando dá merda

Admiro muito presidentes de agências que procuram saber como é a vida dos funcionários fora do ambiente de trabalho. Sabe aquela coisa de mandar um link do novo clipe da banda que o seu funcionário é fã? Então… Mas lembrar da existência do proletariado só nas horas de caos é a maior demonstração de que o dono da agência enxerga sua equipe apenas como uma máquina de mão de obra.

5) Exigem complexidade em jobs simples

É curioso que alguns donos de agência são tão bipolares porque ao mesmo tempo que eles querem praticidade pro cliente entender o job com clareza, também não abrem mão de que o processo tem que ser complexo. A regra é sempre enfeitar o pavão. O lema é: não basta só pôr o ovo, tem que cacarejar.

Workshop sobre Planejamento de Marketing Digital com Gustavo Loureiro

agosto 18th, 2012 § 0 comments § permalink

Olha eu ali na esquerda, irreconhecível, de cabelo quase raspado haha

Participei de um workshop ministrado por Gustavo Loureiro sobre planejamento de marketing digital. O evento foi promovido pela Easyaula que é uma startup especializada em “crowdsourcing do conhecimento”, isto é, a empresa convida profissionais para colaborar com aulas práticas relacionadas às áreas em que eles se destacam.

A Easyaula recebe assistência de uma aceleradora de startups chamada 21212 (21 representa o DDD do Rio de Janeiro e 212 o prefixo de Nova York). Uma instituição que possui parceiros americanos e brasileiros, a fim de estimular a criação de startups no Brasil. Gustavo é mentor da 21212.

O conteúdo do workshop trouxe um panorama geral quanto aos recursos do Google Adwords, instruções de CPC, CPM, CPD e CTR, além de noções básicas de SEO, Social Media Marketing e KPIs. Tudo isso foi apresentado para montar um plano de marketing e aplicá-lo em clientes escolhidos pelos alunos. Para cada aluno (ou grupo de alunos), um cliente diferente. Escolhi focar o trabalho nas eleições municipais aqui do Rio, onde estou engajado no marketing político de um candidato à prefeitura carioca.

Aposto minhas fichas na Easyaula e na 21212 para expandir o conhecimento prático e descomplicado em terras brasileiras. Lógico que é muito importante termos uma base acadêmica, porém ensinar a pescar aquece o mercado para que tenhamos profissionais com alto nível de expertise.

“Perdi Meu Amor na Balada”: O Storytelling sem final feliz

julho 19th, 2012 § 1 comment § permalink

Além do Monitoramento, Storytelling é outra vertente do ambiente social media que mais me entusiasmo em discutir e eu esperei surgir um case brasileiro (sim, tinha que ser do Brasil), que tivesse acabado de sair do forno, para apresentar minha análise quanto às técnicas utilizadas e à reação das pessoas.

Recentemente a Nokia deu a seguinte missão para o seu departamento de marketing, a fim de promover o ultra moderno (oi?) 808 PureView: provocar o público através de um sentimento que causa emoção, o amor, e destacar a câmera de 41 megapixels do gadget.

Particularmente, se eu precisasse de uma câmera com uma resolução tão alta, eu compraria uma Nikon da vida e não um celular.

“Perdi Meu Amor na Balada” pode ter suas falhas, porém alcançou muitos acertos se apenas basearmos nas duas metas, que cito acima, propostas pela Nokia. Mas só pensar em dois quesitos é limitar a gama de oportunidades para melhorar o posicionamento da marca e também subestimar os consumidos abusando da ingenuidade deles que, aliás, já deixaram de ser assim há um bom tempo.

Storytelling bom é aquele que não esconde pra quê veio e muito menos omite seus reais fins. Contar uma história nas mídias sociais é uma estratégia tentadora para construir fatos mentirosos. Em alguns casos isso não é ruim, mas é difícil fingir uma verdade quando você precisa interagir com zilhões de pessoas.

Foi aí que a Nokia pecou. As falas exageradas do ator (“Tô desesperado. Já não durmo. Por amor, cara, vale tudo!”) e os elementos que compõem qualquer novela ou filme romântico (o buquê de flores quando Daniel tenta, sem sucesso, encontrar Fernanda na Oscar Freire), já era possível identificar a farsa.

Tudo bem que a curiosidade estimula o público para acompanhar o desfecho da ação, mas revelar o objetivo somente no final, investindo no deslumbre através da linda história de amor, é tentar promover um produto por intermédio de uma alienação que não existe entre os usuários das redes sociais.

O André de Alencar escreveu sobre esse episódio no blog da B-Young e eu gostaria de comentar o seguinte parágrafo:

“Para mim, a pior parte, é encerrar a campanha exatamente como se encerra um filme na TV! Algo como, passei minha mensagem e quem quiser engolir, fique à vontade, continue vendo a novela.”

O enredo de “Perdi Meu Amor na Balada” poderia ser oportuno para a Nokia tocar no ponto fraco do PureView, que é o sistema jurássico Symbian, com o intuito de aquecer a humanização do modelo e socializar a sua maior qualidade: a câmera ~fodástica~ de 41 MPx. Isso já daria para continuar com a história promovendo outras campanhas vinculadas a essa.

Inteligência digital nas agências – Social Media Brasil 2012

maio 11th, 2012 § 0 comments § permalink

O post “como eu me sinto quando…vou em festa de social media”  representa fielmente a edição 2012 do Social Media Brasil. Parecia que o Centro de Convenções Frei Caneca estava montado para receber um bando de crianças, que iria comemorar o aniversário de algum coleguinha. Tinha pipoca, algodão doce, sorvete… E um pá de gente feliz ligada no 220:

Via Instagram da @li_ambar

No meio de vários encontros, o painel que mais me interessou foi o “Inteligência digital nas agências: O papel dos dados e análises para melhores resultados“.

Foto via Media Education

Um debate entre Priscila Muniz da Agência Click, Sérgio Salustiano (@skrol) da Casa Digital, Mariana Oliveira da Ogilvy e Tarcízio Silva (@tarushijio) da Coworkers, que enfatizou a importância do monitoramento (e de quem monitora) para criar novas campanhas, identificar os simpatizantes da marca e ter uma visão ampliada de como as agências podem fazer com que seus clientes conquistem proximidade com o público.

“Por um Twitter menos social media e mais social gente”

abril 23rd, 2012 § 0 comments § permalink

Esse tweet do @micaelsilva representa a forma como eu sempre vi o Twitter: uma rede social humanizada ao extremo onde os tweets mais relevantes são aqueles que expõem opiniões, ideias e comentários sobre qualquer coisa. Um grande canal que agrega vários pensamentos divergentes.

Particularmente, nunca fui fã de empresas que usam o Twitter pra divulgar produtos ou promover sorteios do jeito mais batido: “Confira o lançamento da nova linha de qualquer coisa” ou “Dê RT e participe da promoção!”. A grande sacada do Twitter é estimular o usuário a escrever mensagens de até 140 caracteres, que sejam atrativas para despertar o interesse das pessoas em seguir o seu perfil.

Por isso que só tuitar links de notícias, feeds ou posts de blogs não convence ninguém a clicar no botão follow, mas se além dos links o usuário também publicar tweets que exibem a sua personalidade, há mais chances dele ser seguido. Nota mental: não postar muitos links se não vira spam.

Os tuiteiros são fanáticos por informação em tempo real e in loco. Presenciou um acidente no trânsito ou soube que o prédio vizinho está pegando fogo, não pense duas vezes: TUITA! De preferência com foto.

A transformação “por um Twitter menos social media e mais social gente” também acontece com a contribuição de algumas empresas. Principalmente aquelas que apostam na cultura web e na construção de personagens:

Se você não entendeu o contexto do tweet do Pinguim, aqui tem a explicação.

Um fator que me incomoda é essa preocupação com o “horário nobre do Twitter”. Dependendo do público que a empresa quer alcançar, é viável tuitar altas horas da madrugada. Os tuiteiros desse horário são mais sarcásticos e é comum surgir um ~papo cabeça~ na calada da noite.

Apoio os diretores de empresas, consultores de marketing, políticos e demais figuras públicas a entrarem na conversa e soltarem o verbo por meio de seus perfis, porque quem está no Twitter é pra se molhar!