O que aprendi sobre Cultura Digital com Martha Gabriel

abril 15th, 2012 § 0 comments

Confesso que eu não conhecia o trabalho da Martha Gabriel, até que um dia tive a oportunidade de entrevistá-la para o site da Netpartner e percebi que temos pensamentos parecidos.

Martha defende o diálogo entre as empresas e os usuários das redes sociais, antes mesmo de promover qualquer ação de vendas de algum produto ou serviço. Eu também apoio essa estratégia porque isso agrega um valor incondicional para as marcas.

Formatei a entrevista como se fosse um post que a própria Martha estivesse escrito. Nada daquela coisa batida de “pergunta-resposta”. Gostei tanto das declarações dela que estou lendo o livro mais famoso de sua autoria: “Marketing Na Era Digital”.

Então, com vocês, Martha Gabriel:

Crowdsourcing: a atual ferramenta de colaboração

O acesso à banda larga foi o marco do início do século XXI que estimulou a colaboração. A partir dela, o usuário pode ficar online o tempo todo e mesmo quando ele não estiver, há espaços que o representa como, por exemplo, os perfis nas redes sociais. A colaboração inova em agregar ideias que no passado eram difíceis de serem apresentadas em grande escala.

Atualmente as ações de crowdsourcing se estabeleceram no Brasil e no mundo como a principal ferramenta de colaboração. A fusão de boas ideias torna-se estratégia preliminar para atrair investidores, a fim de patrocinar vários projetos. Um exemplo é viabilizar a realização de shows de bandas em cidades pequenas.

Vínculo colaborativo entre as empresas e o público-alvo

Apesar das novas plataformas, é importante que as empresas produzem um plano de ação para atingir o seu público e conhecer quem são essas pessoas. Após essa identificação, o próximo passo é desenvolver mecanismos que as estimulam para adquirir o produto ou o serviço. Não necessariamente fazer com que elas comprem no primeiro momento e, sim, agregar valores que serão convertidos em compras.

Se o objetivo é se relacionar com os consumidores conquistados, o ideal é utilizar uma plataforma específica. Porém, antes de iniciar uma comunicação, é importante ter um banco de dados para conhecer o grau de relacionamento que a empresa possui com os seus clientes.

“as pessoas possuem o controle da comunicação distribuída”

Depende muito de quem escreve para que um blog pessoal influencie uma empresa ou uma marca. Há pessoas que falam bem ou mal, mas não são influenciadoras e não atingem uma quantidade significativa de leitores. Também há aqueles que têm blogs e que influenciam um grupo maior. O fator determinante é saber quem gerará repercussão.

Esse cenário, onde as pessoas possuem o controle da comunicação distribuída, pode ameaçar a empresa caso o dono do blog produz posts negativos. Identificar o autor dos textos, os assuntos abordados e, principalmente, apurar se o conteúdo é verdadeiro ou não, são as providências que precisam ser tomadas.

Quando é o caso de um blog munido de posts positivos sobre a marca, há uma estratégia para que o blogueiro torne-se defensor dela: enviar produtos para que ele possa avaliar, porém sem forçar que o mesmo fale bem, faz com que o dono do blog conheça a empresa que propõe iniciar um relacionamento.

É importante avisar que se a instituição não tem um bom produto para oferecer, não adianta promover nenhuma ação nas mídias sociais. Uma boa estrutura de marketing adequada, bom alinhamento na comunicação e um produto de qualidade aumentarão as chances de conquistar comentários positivos e diminuirão os riscos de encontrar reclamações.

Relações Públicas X Post Pago

Além dos blogs, é possível promover um post pago no Twitter e, inclusive, em links patrocinados. Mas é importante destacar duas observações:

1) Identificar a influência de quem escreve

Algumas agências contratam blogueiros ou twitteiros para fazer um post sobre o produto, porém a pessoa tem milhões de leitores/seguidores e não é influente.

2) Deixar claro que o post é patrocinado

É importante mencionar que o post é pago e que ele está inserido no contexto, porém há diferenças porque uma dessas ações identifica a prática de relações públicas.

Vamos pegar o exemplo de uma universidade: tem sentido uma pessoa que escreve sobre educação falar o que ela acha da universidade ou sobre o conteúdo gerado pela instituição. Se o blogueiro trabalha na área da educação, ele vai explicar que a universidade possui um curso inovador ou que ela tem um projeto pioneiro no Brasil. Isso é relações públicas.

Já post pago é a mesma pessoa ligada à educação que fará um review sobre a universidade, mas a instituição tem que deixar claro que o conteúdo é patrocinado. Se a universidade não seguir essa conduta, é provável que aconteça um efeito negativo de desconfiança quanto à postura da empresa.

“o celular está sendo considerado como extensão do nosso corpo”

A mobilidade é a principal tendência para os próximos anos. Nessa última década, principalmente nos últimos dois anos, as pessoas estão cada vez mais vivendo a era mobile. Classes C e D acessam a internet via celular através dos planos econômicos oferecidos pelas operadoras. A mobilidade é responsável por todas as outras tendências, inclusive as redes sociais, e proporciona o acesso em tempo real, modificando o modo como as pessoas consomem informação.

Agora o celular também é um GPS e, por causa dele, podemos nos relacionar com tudo que está a nossa volta. Ele transforma tudo em social. Quando uso o Foursquare e menciono que uma comida no restaurante X é ótima, essa comida tornou-se social. Isso já determina a web 3.0, que é a internet das coisas.

O celular é o computador que fica conectado o tempo todo para trazer informação e dar inteligência aos ambientes onde estão os usuários. O consumo de vídeos pelo celular ganhou o papel de pílula contra o “microtédio” para quem está no trânsito. A mobilidade transforma o comportamento de maneira muito forte e o celular está sendo considerado como extensão do nosso corpo.

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