O analista de mídias sociais da classe C

abril 12th, 2012 § 1 comment

Já percebeu que as pessoas que se destacam no mercado web são de classe média pra cima? Lógico que há exceções. Poucas, mas há.

Além desse grupo de empreendedores, temos a galera que rala nas agências criando posts, monitorando menções e gastando o português pra produzir aquele relatório caprichado. Me refiro aos lindos analistas de mídias sociais, que muitos deles não nasceram (ou ficaram) ~ricos~ e que eu também faço parte dessa classe operária.

Trabalhar com tecnologia exige a utilização de gadgets caros, porém como um estagiário ou um analista (ambos da classe C) vão conseguir comprar esses aparelhos? Pra mim foi sacrificante comprar meu iPhone 3GS (sim, a grana não deu pra trazer o iPhone 4).

Já passei por um episódio que comprometeu o meu trabalho, justamente pela falta de uma situação econômica um pouco melhor. Certa vez faltou luz numa agência onde eu trabalhava e toda a equipe foi fazer home office. Nessa época ainda não tinha banda larga na minha casa. Eu usava um plano da Oi que podia acessar internet discada a qualquer dia e horário sem cobrar pulso telefônico, só que era difícil ficar conectado e, ao mesmo tempo, telefonar para os meus colegas da agência. Tudo bem que existem messengers pra isso, mas não há nada melhor do que falar com a pessoa e eu não tinha microfone pra conversar via PC. Ainda bem que hoje a banda larga reina no meu barraco.

Em 2010, antes do iPhone 3GS surgir na minha vida, eu usava um Motorola bem basicão que só acessava a internet via Wap. Fui todo contente assistir às palestras do FIND, já que meu celular estava com créditos pra que eu pudesse comentar as apresentações pelo Twitter. Mas eu tuitei tanto que rapidamente zerei meu saldo e fiquei sem Twitter durante boa parte do evento.

Será que tudo é mais difícil para os profissionais da web que pertencem à classe C? Pode ser que sim, mas não é impossível conquistar espaço no mercado e alcançar os tais empreendedores da classe média. Imagino vários serviços, várias soluções para melhorar produtos e até já tive a ideia de criar uma startup. Tudo isso nunca saiu do papel. Há concursos pra inscrever projetos e captar investimentos, mas também é preciso ter grana pra criar um protótipo e apresentá-lo nesses eventos.

A grande sacada pra alguém da classe C também se destacar é se esforçar muito mais do que o cara de classe média, a fim de que o talento alcance maior visibilidade em meio aos recursos tecnológicos do colega ~playboy~ porque, no fim das contas, o que importa é a competência do profissional.

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§ One Response to O analista de mídias sociais da classe C

  • Luan disse:

    Sei bem como é se sentir assim, para mim que trabalho com design é um pouco pior talvez por exigir de ida à eventos que geralmente são caros, livros, materiais, equipamentos suficientemente rápidos para executar tarefas rápidas.
    Não ser detentor de alguns itens causa frustração mas também alavanca para a busca de algo melhor e que vá trazer uma situação aquisitiva mais potente.

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