Neutralidade de Rede e Sponsored Data afetam (e muito!) a Publicidade

março 26th, 2014 § 0 comments § permalink

O Marco Civil foi aprovado na Câmara, muitos comemoram e outros nem tanto.

Por um lado é importante regulamentarmos a internet no Brasil, porém a atenção é dobrada quando abrem brechas para que o governo e especialmente a nossa presidente, que anda sendo espionada nas internets, tenham total autonomia para manipular a legislação do Marco Civil quando bem entender. Mas isso é assunto para outro post.

A Neutralidade de Rede é o ponto do Marco Civil que mais preocupa as empresas de telecomunicação e, em consequência, o mercado publicitário.

Resumidamente, Neutralidade de Rede regulamenta a igualdade de tráfego não discriminando o conteúdo ou o serviço, ou seja, sem a Neutralidade de Rede as empresas poderiam (hipoteticamente) vender pacotes dessa maneira:

Parece surreal, mas algo parecido já acontece no Brasil e em outros países! Algumas operadoras móveis oferecem acesso gratuito às redes sociais e, recentemente, o Bradesco autorizou que seus clientes pudessem fazer transações bancárias pela internet sem gastar seus planos de dados.

Corporações internacionais oferecem acesso gratuito a determinados serviços e esse fenômeno é chamado de SPONSORED DATA, que nada mais é que um acordo entre empresas e anunciantes para pagar pela transferência de dados de seus clientes. A respectiva prática já virou polêmica nos Estados Unidos com a AT&T. Parece vantajoso para o usuário, mas também quebra a concorrência porque é lógico que o consumidor vai optar pela empresa que oferece acesso de graça.

UMA COISA É CERTA: a Neutralidade de Rede será o principal motivo para que empresas de internet e telefonia decidam aumentar os preços dos seus pacotes, pois a hegemonia de tráfego impedirá que o mecanismo de Sponsored Data aconteça no Brasil.

Tá vendo como o Marco Civil é uma faca de dois gumes? O mercado publicitário terá que se adaptar de forma radical para agradar as empresas e ao mesmo tempo os usuários. Coisa que é impossível de acontecer.

“Her” explica a compra do Whatsapp pelo Facebook

março 2nd, 2014 § 1 comment § permalink

Assisti Her na semana que foi divulgada a compra do Whatsapp pelo Facebook. Pra mim o longa é um exemplo prático que apresenta os verdadeiros motivos que impulsionaram Mark e seus ~coleguinhas~ de Palo Alto a adquirirem o famoso messenger.

Ok, corremos um certo risco caso as políticas de privacidade do Whatsapp sejam mudadas, porque é óbvio o objetivo do Facebook: ter acesso aos dados de consumo dos usuários do aplicativo recém-comprado.

Mas quem trabalha no ambiente digital tá careca de saber que não há privacidade a partir do momento que criamos um login seja lá em qual a rede social. Tudo o que fazemos está lá arquivado e pode se tornar um rico acervo de inteligência para as grandes corporações.

Em Her, Theodore (Joaquin Phoenix) é envolvido sentimentalmente por um sistema operacional de maneira que ele não percebe, apenas apresentando seus gostos e hábitos por intermédio da interação com a “máquina”. Essa característica é muito usada nas mídias sociais.

Para que uma marca converse com o seu público ela precisa saber – com detalhes – o comportamento dessas pessoas que pertencem ao target e é aí que entra a compra do Whatsapp!

A plataforma de anúncios do Facebook é baseada nos interesses dos seus usuários, certo?

E que tal o Facebook sugerir um produto ou serviço antes mesmo de você pensar em adquirí-lo, mas que em algum momento você precisará consumir? As conversas e as mídias trocadas no Whatsapp traçam os inúmeros perfis de consumidores que o Facebook quer saber com o objetivo de aprimorar suas estratégias de remarketing!

Uma ação muito usada na mídia online é impactar o usuário que visitou o site da loja X, clicou no produto Y, mas não comprou, voltou ao Facebook e lá foi impactado com um anúncio que é exatamente o produto Y da loja X.

Ou seja: sabendo os temas dos assuntos conversados no Whatsapp dá pra mapear o que futuramente um grupo específico de usuários vai consumir. Seja uma viagem, uma peça de roupa ou algum tipo de entretenimento.

É capaz de apresentar anúncios que são de acordo com cada tipo de interesse sem o usuário perceber que está sendo impactado, pois ele não deu diretamente nenhuma informação ao Facebook e, sim, aos seus amigos via Whatsapp!

Her mostra esse tipo de fenômeno minuciosamente sem cair no clichê daqueles filmes em que o homem interage com a máquina. A prova disso foi a conquista (merecida) do Oscar de melhor roteiro original. 😉

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