“Perdi Meu Amor na Balada”: O Storytelling sem final feliz

julho 19th, 2012 § 1 comment § permalink

Além do Monitoramento, Storytelling é outra vertente do ambiente social media que mais me entusiasmo em discutir e eu esperei surgir um case brasileiro (sim, tinha que ser do Brasil), que tivesse acabado de sair do forno, para apresentar minha análise quanto às técnicas utilizadas e à reação das pessoas.

Recentemente a Nokia deu a seguinte missão para o seu departamento de marketing, a fim de promover o ultra moderno (oi?) 808 PureView: provocar o público através de um sentimento que causa emoção, o amor, e destacar a câmera de 41 megapixels do gadget.

Particularmente, se eu precisasse de uma câmera com uma resolução tão alta, eu compraria uma Nikon da vida e não um celular.

“Perdi Meu Amor na Balada” pode ter suas falhas, porém alcançou muitos acertos se apenas basearmos nas duas metas, que cito acima, propostas pela Nokia. Mas só pensar em dois quesitos é limitar a gama de oportunidades para melhorar o posicionamento da marca e também subestimar os consumidos abusando da ingenuidade deles que, aliás, já deixaram de ser assim há um bom tempo.

Storytelling bom é aquele que não esconde pra quê veio e muito menos omite seus reais fins. Contar uma história nas mídias sociais é uma estratégia tentadora para construir fatos mentirosos. Em alguns casos isso não é ruim, mas é difícil fingir uma verdade quando você precisa interagir com zilhões de pessoas.

Foi aí que a Nokia pecou. As falas exageradas do ator (“Tô desesperado. Já não durmo. Por amor, cara, vale tudo!”) e os elementos que compõem qualquer novela ou filme romântico (o buquê de flores quando Daniel tenta, sem sucesso, encontrar Fernanda na Oscar Freire), já era possível identificar a farsa.

Tudo bem que a curiosidade estimula o público para acompanhar o desfecho da ação, mas revelar o objetivo somente no final, investindo no deslumbre através da linda história de amor, é tentar promover um produto por intermédio de uma alienação que não existe entre os usuários das redes sociais.

O André de Alencar escreveu sobre esse episódio no blog da B-Young e eu gostaria de comentar o seguinte parágrafo:

“Para mim, a pior parte, é encerrar a campanha exatamente como se encerra um filme na TV! Algo como, passei minha mensagem e quem quiser engolir, fique à vontade, continue vendo a novela.”

O enredo de “Perdi Meu Amor na Balada” poderia ser oportuno para a Nokia tocar no ponto fraco do PureView, que é o sistema jurássico Symbian, com o intuito de aquecer a humanização do modelo e socializar a sua maior qualidade: a câmera ~fodástica~ de 41 MPx. Isso já daria para continuar com a história promovendo outras campanhas vinculadas a essa.

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