“Por um Twitter menos social media e mais social gente”

abril 23rd, 2012 § 0 comments § permalink

Esse tweet do @micaelsilva representa a forma como eu sempre vi o Twitter: uma rede social humanizada ao extremo onde os tweets mais relevantes são aqueles que expõem opiniões, ideias e comentários sobre qualquer coisa. Um grande canal que agrega vários pensamentos divergentes.

Particularmente, nunca fui fã de empresas que usam o Twitter pra divulgar produtos ou promover sorteios do jeito mais batido: “Confira o lançamento da nova linha de qualquer coisa” ou “Dê RT e participe da promoção!”. A grande sacada do Twitter é estimular o usuário a escrever mensagens de até 140 caracteres, que sejam atrativas para despertar o interesse das pessoas em seguir o seu perfil.

Por isso que só tuitar links de notícias, feeds ou posts de blogs não convence ninguém a clicar no botão follow, mas se além dos links o usuário também publicar tweets que exibem a sua personalidade, há mais chances dele ser seguido. Nota mental: não postar muitos links se não vira spam.

Os tuiteiros são fanáticos por informação em tempo real e in loco. Presenciou um acidente no trânsito ou soube que o prédio vizinho está pegando fogo, não pense duas vezes: TUITA! De preferência com foto.

A transformação “por um Twitter menos social media e mais social gente” também acontece com a contribuição de algumas empresas. Principalmente aquelas que apostam na cultura web e na construção de personagens:

Se você não entendeu o contexto do tweet do Pinguim, aqui tem a explicação.

Um fator que me incomoda é essa preocupação com o “horário nobre do Twitter”. Dependendo do público que a empresa quer alcançar, é viável tuitar altas horas da madrugada. Os tuiteiros desse horário são mais sarcásticos e é comum surgir um ~papo cabeça~ na calada da noite.

Apoio os diretores de empresas, consultores de marketing, políticos e demais figuras públicas a entrarem na conversa e soltarem o verbo por meio de seus perfis, porque quem está no Twitter é pra se molhar!

O que aprendi sobre Cultura Digital com Martha Gabriel

abril 15th, 2012 § 0 comments § permalink

Confesso que eu não conhecia o trabalho da Martha Gabriel, até que um dia tive a oportunidade de entrevistá-la para o site da Netpartner e percebi que temos pensamentos parecidos.

Martha defende o diálogo entre as empresas e os usuários das redes sociais, antes mesmo de promover qualquer ação de vendas de algum produto ou serviço. Eu também apoio essa estratégia porque isso agrega um valor incondicional para as marcas.

Formatei a entrevista como se fosse um post que a própria Martha estivesse escrito. Nada daquela coisa batida de “pergunta-resposta”. Gostei tanto das declarações dela que estou lendo o livro mais famoso de sua autoria: “Marketing Na Era Digital”.

Então, com vocês, Martha Gabriel:

Crowdsourcing: a atual ferramenta de colaboração

O acesso à banda larga foi o marco do início do século XXI que estimulou a colaboração. A partir dela, o usuário pode ficar online o tempo todo e mesmo quando ele não estiver, há espaços que o representa como, por exemplo, os perfis nas redes sociais. A colaboração inova em agregar ideias que no passado eram difíceis de serem apresentadas em grande escala.

Atualmente as ações de crowdsourcing se estabeleceram no Brasil e no mundo como a principal ferramenta de colaboração. A fusão de boas ideias torna-se estratégia preliminar para atrair investidores, a fim de patrocinar vários projetos. Um exemplo é viabilizar a realização de shows de bandas em cidades pequenas.

Vínculo colaborativo entre as empresas e o público-alvo

Apesar das novas plataformas, é importante que as empresas produzem um plano de ação para atingir o seu público e conhecer quem são essas pessoas. Após essa identificação, o próximo passo é desenvolver mecanismos que as estimulam para adquirir o produto ou o serviço. Não necessariamente fazer com que elas comprem no primeiro momento e, sim, agregar valores que serão convertidos em compras.

Se o objetivo é se relacionar com os consumidores conquistados, o ideal é utilizar uma plataforma específica. Porém, antes de iniciar uma comunicação, é importante ter um banco de dados para conhecer o grau de relacionamento que a empresa possui com os seus clientes.

“as pessoas possuem o controle da comunicação distribuída”

Depende muito de quem escreve para que um blog pessoal influencie uma empresa ou uma marca. Há pessoas que falam bem ou mal, mas não são influenciadoras e não atingem uma quantidade significativa de leitores. Também há aqueles que têm blogs e que influenciam um grupo maior. O fator determinante é saber quem gerará repercussão.

Esse cenário, onde as pessoas possuem o controle da comunicação distribuída, pode ameaçar a empresa caso o dono do blog produz posts negativos. Identificar o autor dos textos, os assuntos abordados e, principalmente, apurar se o conteúdo é verdadeiro ou não, são as providências que precisam ser tomadas.

Quando é o caso de um blog munido de posts positivos sobre a marca, há uma estratégia para que o blogueiro torne-se defensor dela: enviar produtos para que ele possa avaliar, porém sem forçar que o mesmo fale bem, faz com que o dono do blog conheça a empresa que propõe iniciar um relacionamento.

É importante avisar que se a instituição não tem um bom produto para oferecer, não adianta promover nenhuma ação nas mídias sociais. Uma boa estrutura de marketing adequada, bom alinhamento na comunicação e um produto de qualidade aumentarão as chances de conquistar comentários positivos e diminuirão os riscos de encontrar reclamações.

Relações Públicas X Post Pago

Além dos blogs, é possível promover um post pago no Twitter e, inclusive, em links patrocinados. Mas é importante destacar duas observações:

1) Identificar a influência de quem escreve

Algumas agências contratam blogueiros ou twitteiros para fazer um post sobre o produto, porém a pessoa tem milhões de leitores/seguidores e não é influente.

2) Deixar claro que o post é patrocinado

É importante mencionar que o post é pago e que ele está inserido no contexto, porém há diferenças porque uma dessas ações identifica a prática de relações públicas.

Vamos pegar o exemplo de uma universidade: tem sentido uma pessoa que escreve sobre educação falar o que ela acha da universidade ou sobre o conteúdo gerado pela instituição. Se o blogueiro trabalha na área da educação, ele vai explicar que a universidade possui um curso inovador ou que ela tem um projeto pioneiro no Brasil. Isso é relações públicas.

Já post pago é a mesma pessoa ligada à educação que fará um review sobre a universidade, mas a instituição tem que deixar claro que o conteúdo é patrocinado. Se a universidade não seguir essa conduta, é provável que aconteça um efeito negativo de desconfiança quanto à postura da empresa.

“o celular está sendo considerado como extensão do nosso corpo”

A mobilidade é a principal tendência para os próximos anos. Nessa última década, principalmente nos últimos dois anos, as pessoas estão cada vez mais vivendo a era mobile. Classes C e D acessam a internet via celular através dos planos econômicos oferecidos pelas operadoras. A mobilidade é responsável por todas as outras tendências, inclusive as redes sociais, e proporciona o acesso em tempo real, modificando o modo como as pessoas consomem informação.

Agora o celular também é um GPS e, por causa dele, podemos nos relacionar com tudo que está a nossa volta. Ele transforma tudo em social. Quando uso o Foursquare e menciono que uma comida no restaurante X é ótima, essa comida tornou-se social. Isso já determina a web 3.0, que é a internet das coisas.

O celular é o computador que fica conectado o tempo todo para trazer informação e dar inteligência aos ambientes onde estão os usuários. O consumo de vídeos pelo celular ganhou o papel de pílula contra o “microtédio” para quem está no trânsito. A mobilidade transforma o comportamento de maneira muito forte e o celular está sendo considerado como extensão do nosso corpo.

O analista de mídias sociais da classe C

abril 12th, 2012 § 1 comment § permalink

Já percebeu que as pessoas que se destacam no mercado web são de classe média pra cima? Lógico que há exceções. Poucas, mas há.

Além desse grupo de empreendedores, temos a galera que rala nas agências criando posts, monitorando menções e gastando o português pra produzir aquele relatório caprichado. Me refiro aos lindos analistas de mídias sociais, que muitos deles não nasceram (ou ficaram) ~ricos~ e que eu também faço parte dessa classe operária.

Trabalhar com tecnologia exige a utilização de gadgets caros, porém como um estagiário ou um analista (ambos da classe C) vão conseguir comprar esses aparelhos? Pra mim foi sacrificante comprar meu iPhone 3GS (sim, a grana não deu pra trazer o iPhone 4).

Já passei por um episódio que comprometeu o meu trabalho, justamente pela falta de uma situação econômica um pouco melhor. Certa vez faltou luz numa agência onde eu trabalhava e toda a equipe foi fazer home office. Nessa época ainda não tinha banda larga na minha casa. Eu usava um plano da Oi que podia acessar internet discada a qualquer dia e horário sem cobrar pulso telefônico, só que era difícil ficar conectado e, ao mesmo tempo, telefonar para os meus colegas da agência. Tudo bem que existem messengers pra isso, mas não há nada melhor do que falar com a pessoa e eu não tinha microfone pra conversar via PC. Ainda bem que hoje a banda larga reina no meu barraco.

Em 2010, antes do iPhone 3GS surgir na minha vida, eu usava um Motorola bem basicão que só acessava a internet via Wap. Fui todo contente assistir às palestras do FIND, já que meu celular estava com créditos pra que eu pudesse comentar as apresentações pelo Twitter. Mas eu tuitei tanto que rapidamente zerei meu saldo e fiquei sem Twitter durante boa parte do evento.

Será que tudo é mais difícil para os profissionais da web que pertencem à classe C? Pode ser que sim, mas não é impossível conquistar espaço no mercado e alcançar os tais empreendedores da classe média. Imagino vários serviços, várias soluções para melhorar produtos e até já tive a ideia de criar uma startup. Tudo isso nunca saiu do papel. Há concursos pra inscrever projetos e captar investimentos, mas também é preciso ter grana pra criar um protótipo e apresentá-lo nesses eventos.

A grande sacada pra alguém da classe C também se destacar é se esforçar muito mais do que o cara de classe média, a fim de que o talento alcance maior visibilidade em meio aos recursos tecnológicos do colega ~playboy~ porque, no fim das contas, o que importa é a competência do profissional.

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