“Sou de Humanas”: Variação linguística provocada pela Convergência Midiática

setembro 28th, 2015 § 0 comments § permalink

milena

Gíria é um bicho muito curioso. Antes ela surgia sem que muitos dos seus adeptos soubessem a origem. A palavra “paquerar”, por exemplo, você sabe de onde veio? Aliás, quem hoje fala paquerar?

Atualmente as gírias e as variações linguísticas (os conhecidos “modos de falar”) surgem numa velocidade surreal por causa da internet. Um nicho que consome cultura pop na web sabe como surgiu o termo “senta lá, cláudia” e o utiliza em seu cotidiano. Mas como esses jargões se popularizam tanto ao ponto de serem incluídos no vocabulário?

A convergência midiática tem culpa nisso, mas ela não age sozinha. A convergência deixa de ser apenas um fenômeno tecnológico quando as pessoas interferem na mensagem, gerando novos códigos e representações culturais.

Em seu livro “Cultura da Convergência”, Henry Jenkins diz o seguinte:

“A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. A convergência ocorre dentro dos cérebros dos consumidores individuais e em suas interações sociais com outros.”

A convergência midiática é um exercício muito praticado pelos veículos de massa junto com a transmídia. O episódio mais recente dessa combinação foi a divulgação, em primeira mão pelo Twitter, do vencedor da segunda temporada do MasterChef Brasil. Mas, pelo menos até hoje, as estratégias corporativas que envolvem convergência midiática não conseguiram interferir no modo de falar ou nos valores culturais da sociedade. Em contrapartida, os memes gerados sem qualquer intuito comercial são altamente influenciadores.

Um bom exemplo de convergência midiática “não-comercial” é a montagem feita numa matéria do SPTV sobre a preparação para o vestibular, que incluiu uma entrevista aleatória com uma garota chamada Milena que deseja “vender sua arte na praia”:

A viralização do vídeo ocorreu porque houve identificação com o comportamento ~zen~ da Milena, além da associação estereotipada de que estudantes e profissionais de humanas são chegados ~numa brisa~ e que adoram fazer miçanga. Está aí um prato cheio para que o termo “sou de humanas” surgisse como uma variação linguística:

Neste episódio da Milena, a convergência midiática obedeceu os seguintes passos:

1) Transformação da mensagem: a matéria original do SPTV sofreu alterações.

2) Identificação de um nicho: a fala da personagem e a maneira como ela diz fizeram com que um grupo pudesse se enxergar na Milena.

3) Pertencimento social: esta “identidade coletiva” é o resultado de membros que desejam ser aceitos em um grupo específico, no caso o da galera de humanas.

A convergência midiática ocorrida na transformação da mensagem gerou um novo código capaz de popularizar o jargão “sou de humanas”, que já existia há muito tempo porém não era tão mencionado na internet como agora. A audiência na web inclui novas variações linguísticas, enriquecendo o vocabulário e até ditando a próxima gíria que será adepta pela sociedade conectada. O negócio é tão sério que os veículos tradicionais sofrem interferências. A TV já adiciona nos textos das novelas esses novos “modos de falar” criados na web.

Acabou que o assunto da matéria do SPTV foi totalmente esquecido no meio desse auê em torno da Milena. Lógico que o meme gerado não tinha como foco a respectiva reportagem, mas é bom refletir que a convergência midiática quando sofre alterações pode causar (e muito) no comportamento da sociedade.

O que aprendi trabalhando 1 ano exclusivamente como freelancer

abril 13th, 2015 § 6 comments § permalink

Esse mês de abril faz exatamente 1 ano que comecei a viver somente de freelas. É uma fase radical ocasionada pela minha decisão de terminar a graduação, que eu adiava desde 2010 quando deixei em segundo plano a carreira acadêmica para investir na minha vida profissional. Falaram mais alto os fatores falta de grana + medo de encerrar o curso de publicidade e não conseguir um trabalho na área. Eu faltava às aulas, que eram à noite, e dava expediente até tarde nas agências que trabalhei ao ponto de trancar a faculdade duas vezes.

Percebi que eu estava carente de uma especialização após esse período enraizado profissionalmente e distante dos estudos, mas como eu ia terminar a faculdade para fazer uma pós se mal tinha espaço durante a semana? Foi então que decidi fazer meu tempo. Ser exclusivamente freelancer para que nenhum emprego de 8h – soma também as horas extras regadas a fatias de pizza – pudessem me impedir de planejar meus próprios turnos de trabalho, a fim de terminar a bendita graduação.

Freelar é uma prática tão comum da galera de humanas e eu já fazia uns freelas aqui e acolá para ajudar na renda porque, né, quem é da área sabe o preço que se paga para sustentar uma vocação não muito reconhecida no mercado. Aliás, colega de profissão que nunca foi freelacer na vida ou é filhinho de papai, funcionário público ou trabalha numa puta empresa multinacional. #prontofalei

Nesses 12 meses absorvi um aprendizado que me amadureceu não somente como profissional, mas também como pessoa porque eu não tenho mais um superior para esconder minhas falhas e defeitos de personalidade que todos nós temos. Essa responsabilidade é fruto de atitudes mais inteligentes, pois agora a comunicação é somente entre a minha pessoa e o cliente.

Evolução da Minha

Capacidade Empreendedora

O freelancer é uma agência de publicidade numa pessoa só, pois sou ao mesmo tempo o atendimento, o profissional do planejamento, o cara do conteúdo e, enquanto eu trabalho para um determinado cliente, também sou responsável pelo comercial para prospectar novas oportunidades. Não tem como ser excelente em todas as áreas, porém exercitar na marra cada um desses setores é pensar estrategicamente como eu posso otimizar meu tempo e precificar de maneira justa minha hora-homem. O freela tem o mesmo significado de uma prova para evoluir minha capacidade empreendedora, juntamente com a performance do meu ofício.

Libertação do Brainstorm Corporativo

Uma das coisas que mais me desaponta na vida de agência (pequenas e médias) é ter um ideia que foge do comum, apresentá-la para o superior e o cara não encaminhar para o cliente afirmando que o mesmo não vai gostar ou que nunca viu uma marca investindo em tal plataforma, então não vai ser a gente que vai arriscar. Certa vez, na última agência que trabalhei antes de viver só como freelancer, tive uma ideia bacana para uma ação no Snapchat. O target do cliente usava o aplicativo, mas a sugestão não saiu da agência. Um tempo depois peguei um freela que também caía bem investir no Snapchat. Convenci o investimento na ação e consegui executá-la. O freelancer tem a autonomia para se livrar do famoso brainstorm corporativo, que é aquele que sugere sempre as mesmas ideias ou propõe estratégias antes já testadas pelas concorrentes, por exemplo. A liberdade de sugerir soluções para o cliente sem precisar da autorização de terceiros é um prazer vantajoso e sem igual!

 Pós-Prospects = Indicações

O que sustenta o freelancer é o seu network (isso todo mundo sabe). O que fornece consistência para eu conseguir indicações de bons freelas é o zelo que dou aos meus trabalhos e, paralelamente, o tratamento que ofereço aos meus clientes. Não é virar um mestre do puxasaquismo. É se colocar no lugar de quem confiou no meu trabalho para investir seu dinheiro. Assim fica mais fácil de um cliente me indicar para outras pessoas. Duas indicações de clientes me proporcionaram dois novos freelas.

Livrai-me dos Calotes, Amém!

Não vou lamentar de atraso de pagamento ou de calote que já recebi. Prefiro lembrar que eles foram importantes para eu adquirir malícia na hora de negociar o pagamento e a entrega do job. Também aprendi que consideração não pode influenciar o compromisso. Afirmo isso porque já deixei para negociar o valor e a data do pagamento depois do freela entregue. Sim, eu sei que foi burrice minha. Misturei a consideração que tenho pela pessoa que me indicou, com a aceitação de deixar o cliente me pagar quando puder. O velho clichê reina nessa situação: negócios à parte. Demonstro nos meus freelas a importância de não ultrapassar o deadline e, portanto, exijo o mesmo de quem vai me pagar. Na vida de um freelancer é bom acontecer o primeiro calote para aprender a não passar por outros.

Conselho Importante: torne-se um freelancer ou um pequeno empreendedor (nem que seja para gerenciar um blog lucrativo), pois certamente você vai adquirir experiência única que dificilmente é absorvida numa agência.

No blog CarreiraSolo tem um post do @cristianoweb sobre os 7 anos que ele tem como freelancer. Vale a leitura! :)

Ello: A reencarnação do Path

outubro 9th, 2014 § 0 comments § permalink

Lembra do Path? Uma rede social que só tem versão mobile e livre de anúncios. Por que o Ello deu certo (em termos de popularidade) e o Path, não? É aquela coisa de <clichê>estar no lugar certo, na hora certa.</clichê>

Quando eu usava o Path, me sentia como se estivesse cumprindo protocolo pra conversar com os mesmos amigos do Facebook e do Twitter. Até porque o próprio Path tem a opção de replicar os posts nas principais mídias sociais. Resumindo: eu estava <clichê>correndo atrás do próprio rabo.</clichê>

Aí surgem os velhos argumentos: em cada plataforma usa-se um estilo diferente ou, por exemplo, assuntos que eu falava no Path eu não mencionava no Twitter ou no Facebook. Então faz sentido esse looping? Hoje lembrei do Path, reativei minha conta e vi que todos os meus amigos não publicam nada há séculos. Era só um hype mesmo.

Tudo bem que o Path nunca chegou a ser popular (pelo menos aqui no Brasil) e nos seus primeiros meses de vida nunca se vendeu como uma rede social livre de anúncios, mas conquistou adeptos pelo simples fato de ser novidade. Já o Ello ganhou tanto buzz justamente por enfatizar sua filosofia NoAds, por declarar que seus usuários não estão à venda e por se aproveitar da polêmica dos nomes artísticos/fakes proibidos no Facebook.

O pulo do gato que o Ello deu foi perceber no momento certo a mudança de comportamento dos usuários, que se incomodam com os modelos brutais de propaganda digital para usar dados com o objetivo de conseguir, a qualquer custo, vender todo tipo de muamba. Aí lá vem aquele cara de mídia soltar o verbo: essa galera disponibiliza informações porque quer. Ninguém obriga. Pensar assim é não analisar o outro lado moeda que é a importância excessiva (e não falo isso como algo ruim) de migrar para plataformas sem anúncios como é o Ello.

Métricas, ROI e “gerar lead” são termos que não servem de nada se é desconhecido o sentimento dos usuários das mídias sociais. Será mesmo que vale a pena, sem entender o fenômeno antropológico, investir em ads (qualquer formato) no Facebook se o cara, agora, consome mais conteúdo publicado pelos seus amigos e classifica as publicações das marcas como secundárias?

Aí parece que o trabalho de mídias sociais se resume a isso:

Se as marcas que entram no Ello demonstrassem os seus sentimentos, ou seja, deixarem de lado a preocupação de conquistar interação e mostrar mais sobre o que elas pensam ou desejam. Tornar mais explícito que são feitas de pessoas de carne e osso donas de análises distintas sobre qualquer assunto. Seria como humanizar a estratégia institucional sem nenhum toque corporativista e nem fotos fakes de equipes felizes. Acredito que o Ello e o Path proporcionam um ambiente intimista onde humanos conseguem mais relevância do que empresas carregadas de normas e processos.

5 erros comuns cometidos por analistas de mídias sociais

setembro 24th, 2014 § 0 comments § permalink

Ano passado fiz um post sobre os 5 erros comuns cometidos por donos de agências e, na época, surgiu uma cobrança de também escrever sobre os 5 erros comuns cometidos por analistas de mídias sociais, de comunidade, de relacionamento ou seja lá qual nome descolado as agências dão pra quem atua no ambiente social media.

Enfim sobrou tempo (pois é) e inspiração em Orange is The New Black para citar os 5 erros que muitos mídias sociais cometem. Eu, inclusive, já pratiquei alguns. 😛

1) Vivem no mundinho das mídias sociais

Giram pelo Twitter, depois pelo Facebook, pelo Instagram e param no mesmo lugar: nas fanpages dos concorrentes.

Que o monitoramento traz ótimos insights todo mundo sabe, mas acontece que quem só se importa em pesquisar nas redes acaba perdendo uma série de dados relevantes. Informações que não estão somente em pesquisas facilmente encontradas na internet, mas também em percepções sobre o comportamento de consumo e o estilo de usabilidade aplicado pelo público que deseja alcançar.

Não será um Heavy User de mídias sociais que encontrará respostas para essas características. Ler artigos acadêmicos já é um ótimo passo pra sair da beira do mar e nadar mais fundo, pois a área acadêmica traz inúmeros esclarecimentos que o mercado precisa. Depois de consultar os acadêmicos, aí sim procure ler os profissionais. Porque se você reparar bem, os profissionais têm como referência os acadêmicos para formar o entendimento analítico que servirá de base nos argumentos técnicos. Ou seja: é na teoria dos acadêmicos que teremos as soluções para executar a prática. Para alguns isso pode parecer óbvio, mas há muitos profissionais de mídias sociais (principalmente os de nível júnior) que ainda não absorveram essa estratégia.

Aliás, “Heavy User de mídias sociais” deveria ser um termo abolido no mercado. Meu primo de 17 anos estuda de manhã e passa o resto do dia no Facebook, no blog do Não Salvo, no Instagram… Ele é um Heavy User. O termo correto deveria ser “conhecimentos profissionais em mídias sociais”, pois meu primo sabe publicar um post no Facebook para uma lista específica de amigos, mas com certeza ele não está ciente de como se produz um dark post. Arrisco afirmar que o próprio mercado acomodou os mídias sociais a ficarem nos seus mundinhos com essa coisa de “Heavy User”.

2) Forçam intimidade com os blogueiros

A gente sabe que as redes sociais têm essa coisa de aproximar pessoas, o que facilita muito uma intimidade surgir sem entender ao certo como ela começou. Isso é fantástico! Mas a forçação de barra atrapalha se acontece algo do tipo com o mídia social e o blogueiro. Por isso é importante analisar os motivos que a tal intimidade fenomenal aconteceu e geralmente ela está ligada a dois fatores: dinheiro e influência (exatamente nessa ordem).

Blogueiro, se o mídia social chegar cheio de amor pra dar pode ter certeza que ele possui verba limitada e deseja te cobrir de simpatia para conseguir um excelente desconto. Mídia social, se o blogueiro te trata feito rei é porque além do seu dinheiro ele também quer a influência que consequentemente ganhará, caso o seu cliente seja muito importante. Há situações em que o próprio mídia social quer sugar a influência do blogueiro para se tornar uma ~webcelebridade~. Fora esses casos, um outro motivo pra tanto mela-mela atende pelo nome de pegação! Aí vocês que se entendam.

 3) São entusiastas… Até demais!

 É lindo ver um profissional entusiasmado com o que faz, mas repara que a galera de mídias sociais exagera na euforia. Faço essa crítica pra mim mesmo porque já me peguei mega feliz compartilhando pra deus e o mundo um novo app ou uma atualização interessante. O mídia social fica serelepe! Totalmente possuído pelo ritmo ragatanga! Mas, né? Cansa, gente! Até acredito que esse entusiasmo seja o combustível para a criatividade, porém a tamanha felicidade pode ser interpretada como infantil. Alguém viu algum programador felizão quando surgiu o lindo do html5? Pois é…

 4) Não admitem quando são os últimos a saber 

“Se eu sabia que uma fanpage pode comentar em outra página? Sim, sim, sim…”

 O orgulho de não admitir que não conhece algo diretamente ao seu trabalho é um pecado cometido por qualquer profissional. É chato confessar, eu sei, mas é uma atitude que demonstra maturidade e humildade.

Tem outra coisa também: o profissional de mídias sociais não é obrigado a saber como funciona todas as ferramentas. Assim como o mídia não é obrigado a decorar todos os valores de inserção em cada veículo. O primordial é entender o sentimento dos usuários, por isso há tantos cursos e workshops sobre antropologia do consumo e psicologia social. As mídias ficam obsoletas rapidamente (olha aí o Orkut se despedindo da gente), então não faz sentido sair feito louco pra saber como faz tal coisa na rede social x, y e z.

Lógico que conta muito ter um conhecimento avançado das mídias sociais usadas pelo público do seu cliente, mas isso não justifica ser o doutor sabedoria. É um desafio admitir que não sabe tudo, mas vai por mim! Se você falar que não conhece porém gostaria de saber, com certeza você será admirado pelos seus colegas de trabalho. 😀

5) Acham que tudo é zoeira

As mídias sociais são um campo fértil pra zoeria porque ela não tem fim. Será mesmo que não tem limites? É pensando assim que vire e mexe surgem posts sem noção como esse:

Está lá na página Analista de Mídias Sociais da Depressão

 Acredito na minha ingenuidade e afirmo que nem sempre o profissional pensa na zoeira pra fazer um post desse, mas o universo social media é um ambiente tão propício à informalidade que é muito fácil perder a dosagem da descontração. Exatamente por isso que vale consultar toda a equipe pra saber se o post passa no critério anti-zoeira, mas sem exagerar no politicamente correto né? Por favor! 😉

Os talentos enterrados de Gordon, da série Halt and Catch Fire

junho 20th, 2014 § 0 comments § permalink

Duas séries lançadas esse ano chamaram minha atenção por terem como tema “Tecnologia”: Silicon Valley (HBO) e Halt and Catch Fire (AMC). A primeira não consegui passar do primeiro episódio porque é um siticom tão bobo, que nem as tiradas sarcásticas e o discreto humor negro (meu preferido) conseguem salvar a trama. Respeito quem virou fã de Silicon Valley, mas não é pra mim.

Já Halt and Catch Fire me cativou pelo seu ritmo que não se arrasta, pelas identidades complexas dos personagens (por mais que isso soe clichê) e também pelo fato de que qualquer situação arquitetada alcança o ápice, capaz de trazer aquela sensação de que “agora fodeu”! Dessa vez não dá mais pra continuar com a história. Já pode encerrar a série. E olha que só foram ao ar 3 episódios!

Parece que o canal AMC quer beber um pouco mais da fonte de Breaking Bad, mas Halt and Catch Fire tem narrativa bem diferente da trajetória de Walter White, porém segue com o mesmo estilo cinematográfico de BB. A fotografia de HACF também é de se admirar, assim como era em Breaking Bad.

Resumidamente, Halt and Catch Fire acontece no início dos anos 80 quando surgem os primeiros computadores pessoais. Há uma empresa fictícia de software chamada Cardiff Electric que contrata um ex (e importante) executivo da IBM, Joe MacMillan (Lee Pace), um cara ganancioso que deseja se destacar no mercado desenvolvendo o mais potente PC para a época. Ele conhece a estudante fodona, porra-louca, drogada e prostituída (tá, exagerei. Mas é bem por aí o perfil dessa garota que eu já curti!) de TI, Cameron Howe (Mackenzie Davis), e que junto com o engenheiro de computação, Gordon Clark (Scoot McNairy), trabalham para o seguinte plano ilegal encabeçado por Joe MacMillan: quebrar a patente da IBM para copiar e “criar” um novo sistema bem mais rápido que o da sua concorrente, com o objetivo de lançar o primeiro computador pessoal portátil da Cardiff Electric.

A série menciona inúmeros termos técnicos. Pra começar com o título “Halt and Catch Fire”. Mas todas as nomenclaturas citadas, conhecidas por programadores, são compreendidas por leigos no decorrer da história com os insights que surgem nos contextos das falas. O personagem Gordon me estimulou a escrever esse post, pois a vida dele é o reflexo de muitos profissionais excelentes que nunca foram reconhecidos no mercado como tais.

Gordon não tem grana, é casado e pai de duas filhas pequenas. Ele gastou muito dinheiro para produzir um PC com o nome de Symphonic, mas foi um fracasso. Sua mulher é racional e acha um absurdo ele se meter em um novo projeto de computador pessoal, temendo que Gordon fique ainda mais sem dinheiro. O que pode interferir nas despesas da casa. O próprio Gordon não se acha tão eficiente assim, coisa que Joe MacMillan contesta porque admira a sabedoria do engenheiro frustrado. Gordon escreveu um artigo sobre arquitetura livre bem antes de existir a era open source. O cara é um visionário e nem se dá conta disso!

Todo mundo tem um projeto pessoal que nem sempre vai pra frente por alguns motivos. Geralmente por falta de grana, tempo ou pelas duas coisas juntas. Quando eu soube que Gordon criou um PC, logo lembrei das várias vezes que me peguei pensando que estou trabalhando tanto para os outros e que mal sobra tempo pra trabalhar pra mim. Ou então aceitar um job, um emprego ou participar de um projeto que vou ralar muito e que no final os louros vão para outra pessoa. É nesse caminho que Gordon optou andar, já que ele enterrou seus talentos na sombra de Joe.

Halt and Catch Fire não tem previsão (pelo menos por enquanto) de ser exibida no Brasil, mas o torrent tá aí pra isso! 😉

Social SAC is the new SAC 2.0

abril 17th, 2014 § 0 comments § permalink

Não curto muito o termo “dois-ponto-zero”. É uma nomenclatura que remete a algo novo, uma nova versão, mas quando se trata de SAC a gente percebe que nada de novidade aconteceu. As práticas de um bom atendimento são as mesmas só que agora adaptadas em outras plataformas.

Eu mudaria o título “SAC 2.0” para “Social SAC”, pois a conversa é mais teti-a-teti como se fosse uma mesa de bar onde você não é amigo de quase ninguém, tentando ser o descolado pra se inserir no papo dos bróder.

O que mais me fascina no SAC 2.0 (ou Social SAC) é a inteligência que existe junto ao monitoramento. Quanto mais eu descubro sobre o comportamento dos consumidores, como eles se manifestam nas redes sociais e reagem quando tomam conhecimento de qualquer assunto, mais tenho tesão de vasculhar as menções para arquitetar estratégias que não são tiradas de dentro de uma cartola, mas baseadas em sentimentos gerados pelos próprios usuários. É lindo demais! <3

Essa é a palavra correta: SENTIMENTO.

Foi tendo o feeling da coisa que destaco abaixo 4 ~paranauês~ para estabelecer uma excelente campanha de Social SAC:

1) O personagem da marca é uma entidade

a ser incorporada

É de suma importância estudar a linguagem da empresa ao ponto de refletir no atendimento o estilo de comunicação da instituição. O nível de incorporação tem que ser tão alto que o cara do Social SAC tem que se sentir como se ele fosse a própria marca! Isso ajuda muito para que o profissional não fique com aquela percepção de que está falando em nome de alguém. Deixe essa prática para os assessores de imprensa. Quando baixa a entidade o relacionamento com os consumidores flui naturalmente.

2) Troque as respostas padrões por ideias padrões

Responder todo mundo com uma mensagem original é um pé no saco, mas não tem jeito! A pior coisa é ouvir do consumidor que o atendimento é robotizado. Mas pra ajudar na produção das respostas personalizadas eu sugiro listar os assuntos que são mais comentados e, a partir deles, já ter em mente de como formular as mensagens. Cada cliente tem a sua forma de se expressar. Alguns são mais formais e outros nem tanto. Por isso que criar uma resposta padrão corre o risco do consumidor não se identificar.

3) Ter contato direto com alguém da empresa é a solução de todos os problemas

A pessoa que abriu um chamado no SAC via redes sociais exige rapidez, porque se não ela consultaria os meios convencionais (telefone ou e-mail). E as vezes surgem dúvidas que estão fora das ideias padrões. São nessas horas que alguém capacitado da empresa deve ser acionado. Geralmente o setor de marketing é quem cuida disso, mas afirmo que o ideal é a convergência do SAC off com o SAC on. Ou seja: o profissional do SAC tradicional também precisa entrar no jogo pra marcar o gol!

4) Acompanhe todos os passos dos consumidores

É aí que o monitoramento salva toda a campanha de Social SAC!

Monitorar só as menções recebidas nos perfis oficiais é querer limitar o potencial do atendimento. A exceção vira regra: capturar menções que não têm objetivo de conversar com a marca abrem oportunidades para novos (e surpreendentes) diálogos. Tipo isso aqui:

Tá vendo como seria melhor se o termo fosse Social SAC? 😉

Neutralidade de Rede e Sponsored Data afetam (e muito!) a Publicidade

março 26th, 2014 § 0 comments § permalink

O Marco Civil foi aprovado na Câmara, muitos comemoram e outros nem tanto.

Por um lado é importante regulamentarmos a internet no Brasil, porém a atenção é dobrada quando abrem brechas para que o governo e especialmente a nossa presidente, que anda sendo espionada nas internets, tenham total autonomia para manipular a legislação do Marco Civil quando bem entender. Mas isso é assunto para outro post.

A Neutralidade de Rede é o ponto do Marco Civil que mais preocupa as empresas de telecomunicação e, em consequência, o mercado publicitário.

Resumidamente, Neutralidade de Rede regulamenta a igualdade de tráfego não discriminando o conteúdo ou o serviço, ou seja, sem a Neutralidade de Rede as empresas poderiam (hipoteticamente) vender pacotes dessa maneira:

Parece surreal, mas algo parecido já acontece no Brasil e em outros países! Algumas operadoras móveis oferecem acesso gratuito às redes sociais e, recentemente, o Bradesco autorizou que seus clientes pudessem fazer transações bancárias pela internet sem gastar seus planos de dados.

Corporações internacionais oferecem acesso gratuito a determinados serviços e esse fenômeno é chamado de SPONSORED DATA, que nada mais é que um acordo entre empresas e anunciantes para pagar pela transferência de dados de seus clientes. A respectiva prática já virou polêmica nos Estados Unidos com a AT&T. Parece vantajoso para o usuário, mas também quebra a concorrência porque é lógico que o consumidor vai optar pela empresa que oferece acesso de graça.

UMA COISA É CERTA: a Neutralidade de Rede será o principal motivo para que empresas de internet e telefonia decidam aumentar os preços dos seus pacotes, pois a hegemonia de tráfego impedirá que o mecanismo de Sponsored Data aconteça no Brasil.

Tá vendo como o Marco Civil é uma faca de dois gumes? O mercado publicitário terá que se adaptar de forma radical para agradar as empresas e ao mesmo tempo os usuários. Coisa que é impossível de acontecer.